José Inácio de Alvarenga Peixoto e Bárbara Heliodora

Bárbara Eliodora nasceu e morou na cidade de São João Del Rei, só após a prisão de seu marido Alvarenga Peixoto no ano 1789, envolvido na conspiração da Inconfidência Mineira, que Bárbara se mudou com seus filhos para a cidade de São Gonçalo do Sapucaí, cidade a qual possuíam algumas terras.

Baseada nos dados históricos e nos traços das figuras femininas de sua família.

Fonte: arquivo da Casa da Cultura

 

Bárbara Eliodora marcou heroicamente a história da Inconfidência Mineira, ao apoiar seu marido, Alvarenga Peixoto, em busca da liberdade da Pátria. Aos 60 anos veio a falecer no município de São Gonçalo do Sapucaí no dia 24 de maio de 1819.

Bárbara Eliodora Guilhermina da Fonseca era neta de Dr. Pantaleão de Souza e de Maria de Nazaré e filha de Dr. José da Silveira e Souza e D. Maria Josefa da Cunha.

Bárbara teve mais oito irmãos, sendo eles: Francisca Maria do Carmo, Ana Fortunata, Maria Inácia Policena, José Maria da Silveira e Souza, Joaquim Maria, Iria Claudiana Umbelina, Manuel Joaquim da Silveira e Souza e Maria Cândida. Outro fato interessante sobre Bárbara Eliodora diz respeito ao sobrinho, filho de sua irmã Ana Fortunata, registrados pelos avós Dr. José da Silveira e Souza,  como sendo seu filho.

Não se sabe ao certo a data de nascimento de Bárbara, visto que não existe documentação comprobatória para tal, porém, Noviello diz que Bárbara Eliodora foi batizada no ano de 1759, na Igreja de Nossa Senhora do Pilar na cidade de São João Del Rei-MG.

Conforme nos relata a história Bárbara Eliodora Guilhermina da Silveira se casou com José Inácio de Alvarenga Peixoto um dos participantes da Inconfidência Mineira.

José Inácio de Alvarenga nasceu na cidade do Rio de Janeiro e aos 34 anos de idade formou-se em Direito em Coimbra, Portugal, no ano de 1767. Foi nomeado ouvidor da Comarca do Rio das Mortes atual São João Del Rei-MG e onde primeiramente ficou hospedado na casa dos pais de Bárbara Eliodora.

Alvarenga Peixoto regressou ao Brasil em 1776, nomeado ouvidor da Comarca do Rio das Mortes, cargo de que tomou posse a 19 de agosto daquele ano, em São João Del Rei.

Após quatro anos sendo ouvidor, Alvarenga abandonou seu cargo, começando a se dedicar à agricultura e a mineração. Nesta época, gozando de muito prestígio e destaque nessa região, o mesmo, adquiriu muitas terras, terras estas com plantação de cana e mandioca; currais de gados e mais de 200 escravos. Visto que Alvarenga tomara conhecimento que nessas terras tinham grande quantidade de ouro na cidade de São Gonçalo do Sapucaí-MG

É importante salientarmos que nesta época o Alvarenga Peixoto ainda residia em São João Del Rei, entretanto começou a adquirir terras na região do sul de Minas Gerais.

Alvarenga Peixoto e Bárbara Eliodora já faziam planos juntos, a cada dia que passava o amor dos dois só aumentava, Alvarenga apaixonado idolatrava sua amada e musa inspiradora.

A paixão veio logo que se conheceram, assim Alvarenga descrevia Bárbara em forma de poema:

 

Porte de deusa

Espírito nobre

E o mais qu’encobre

Frio avental,

Só vós, amores

Que as graças nuas

Vê eles,as suas

Podeis pintar.

Isto é castigo

Que Amor me dá.

 

E nessa história de amor, resultou em 1779 o nascimento da primeira filha do casal, cujo nome era Maria Efigênia. A primeira filha do casal conforme remonta a história nasceu antes do casamento de seus pais, entretanto, posteriormente ao casamento o casal tiveram mais três filhos José Eleutério, João Damasceno (que depois fora chamado de João Evangelista) e Tristão Antônio.

O enlace matrimonial ocorreu em 22 de dezembro de 1781 na cidade de São João Del Rei - MG, mesma cidade onde Bárbara nasceu. O casamento foi realizado em um Oratório particular na casa de José da Silveira e Souza pai de Bárbara.

Podemos encontrar na Paróquia de Nossa Senhora do Pilar, na cidade de São João Del Rei, o registro de casamento de Bárbara e Alvarenga.

Na época da Inconfidência havia já, em Minas Gerais, uma elite intelectual bem brasileira, composta de poetas, padres e advogados, dentre eles: Tomás Antônio Gonzaga, Cláudio Manoel da Costa e Alvarenga Peixoto formavam a trindade intelectual mais famosa do Brasil.

Alvarenga Peixoto sonhava com a liberdade da Pátria e então se envolveu na Conspiração Mineira, que visava liberdade e progresso para o país, essa idéia começava a se espelhar por todas as vilas, povoados e até mesmo nas comarcas mais distantes. Esse movimento não se limitava apenas na independência política, mas também em implantar uma política econômica industrialista, sobretudo as fábricas de tecidos, ferro e pólvora, visando não só o enriquecimento dos proprietários das fábricas, como também de todos os envolvidos, como funcionários e fornecedores.

Bárbara Eliodora era uma mulher respeitada por todos, por sua beleza física e grandeza moral, era encantadora e inspiração dos poetas, bela, inteligente e seus ideais iam a favor de um Brasil melhor, alguns dos Inconfidentes desejavam que Bárbara fosse a Princesa do Brasil quando se desse o fim da Conspiração.

Bárbara Eliodora foi a única mulher a participar indiretamente do movimento, ela sabia quais eram os objetivos e os planos para a libertação do Brasil. Após a denúncia, Alvarenga tentando salvar sua família tinha um plano de se passar por vítima de uma cilada contra a Coroa Portuguesa, entretanto Bárbara não o deixou trair seus amigos.

Deram as prisões dos Inconfidentes, Alvarenga Peixoto residia com sua família em São João Del Rei, Alvarenga se rendeu voluntariamente, foi preso, e enviado para o Rio, onde, em seguida deu-se à abertura da devassa.

A devassa era uma espécie de inquérito no qual se interrogavam os suspeitos e ouviam-se as testemunhas de um crime.

Alvarenga foi preso na data de 20 de maio de 1789 pelo oficial José Dias Coelho. Após 3 anos de interrogatórios na Fortaleza da Ilha das Cobras no Rio de Janeiro foi enviado para o Presídio de Ambaca, Angola, na África, juntamente com mais 11 principais envolvidos na Inconfidência Mineira, sendo um deles, Tiradentes, onde todos foram condenados a prisão perpétua, menos Tiradentes que foi levado a forca no dia 21 de abril de 1792.

Em 18 de abril de 1792 foi dada à leitura da sentença que condenou Tiradentes à forca, a ter seu corpo esquartejado e a cabeça cortada e exibida no centro de Vila Rica. E também Freire de Andrade, Álvares Maciel, Alvarenga Peixoto, Oliveira Lopes e Luís Vaz deviam ser enforcados, decapitados e esquartejados. Porém a Rainha de Portugal fez uma carta de clemência onde todas as sentenças, menos a de Tiradentes foram perdoadas.

O mais infeliz foi Alvarenga Peixoto, que não sobreviveu seis meses, morrendo em Ambaca, aos 49 anos de idade, morreu em 12 de Janeiro de 1793.

 “Foi depois de 20 de maio de 1789, data que Alvarenga Peixoto foi preso em sua casa em São João Del Rei, que Bárbara Eliodora e seus quatro filhos vieram residir em São Gonçalo.” (A. C. Rocha – A Opinião No 200).

Portanto, cabe situarmos o município de São Gonçalo do Sapucaí, visto que a mesma passou a fixar residência juntamente com seus filhos neste município, sua casa foi demolida, era localizada onde hoje existe uma praça que leva o nome de “Bárbara Eliodora”.

 

Casa onde morou Bárbara Heliodora

Fonte: arquivo da Casa da Cultura

Essa mudança ocorreu em virtude de Bárbara e sua família sofrer muitos preconceitos, pois as autoridades portuguesas declaram infames toda família dos Inconfidentes.

Em 13 de Outubro de 1789, época a qual Bárbara já residia na cidade de São Gonçalo do Sapucaí, foi feita uma avaliação dos bens de Bárbara Eliodora pelo Desembargador Luis Ferreira de Araújo e Silva.

Alvarenga possuía muitos bens, imóveis residenciais, cerca de 200 escravos, fazendas de muito valor, entre elas: o Engenho dos Pinheiros, terras de cultura e terras e águas minerais, Fazendas da Boas Vista, Santa Rufina, Fazenda do Paraopeba, jóias , móveis, roupas , etc.

A justiça portuguesa confiscou os bens dos acusados, como castigo para as famílias dos inconfidentes, que sem poder reivindicar assistiam o levantamento e a tomada dos bens que possuíam.

No dia 13 de outubro de 1789 foi requerido o inventário dos bens de Bárbara Eliodora, toda sua fortuna foi relacionada, mesmo tendo muitos bens a família de Bárbara se encontrava endividada, pensando no futuro de seus filhos Bárbara Eliodora requereu e conseguiu ficar com cinqüenta por cento de seus bens.

Após perder seu esposo e companheiro, Bárbara Eliodora começa a ter outras perdas, em abril de 1793 faleceu o seu pai, que foi enterrado no interior da Igreja de São Francisco de Assis em São João Del Rei-MG e no ano seguinte sua filha Maria Efigênia apelidada como Princesinha do Brasil faleceu aos 15 anos de idade, no dia 10 de maio, vítima de uma queda de cavalo quando  fazia o trajeto de Campanha a sua Fazenda Boa Vista na cidade de São Gonçalo do Sapucaí.

Maria Efigênia que era para os seus pais o anjo da felicidade doméstica, e tão formosa que lhe davam o nome de Princesa do Brasil.

Banhada de tanta tristeza, Bárbara Eliodora fez um poema para sua filha Maria Efigênia:

 

Amada filha, é já chegado o dia,

Em que a luz da razão, qual tocha acesa,

Vem conduzir a simples natureza.

È hoje que o teu mundo principia.

 

A mão que te gerou, teus passos guia,

Despreza ofertas de uma vã beleza,

E sacrifica as honras e a riqueza

Às santas leis do Filho de Maria

 

Estampa na tu’alma a caridade,

Que amar a Deus, amar aos semelhantes,

São eternos preceitos da verdade,

 

Tudo mais são idéias delirantes;

Procura ser feliz na eternidade,

Que o mundo são brevíssimos instantes.

 

No ano de 1806, não bastasse todos os acontecimentos inesperados e tristes em sua vida, em São João Del Rei morre sua mãe. Agora Bárbara era viúva e órfã.

No ano de 1809 aos dias 27 de julho, Bárbara tentando mais uma vez proteger seus filhos da miséria passou seus bens ao seu filho mais velho José Eleutério.

Existem relatos de que Bárbara tenha enlouquecido, após ter passado por vários momentos difíceis e muito sofrimento, como a perda de seu marido e sua filha mais velha, que, por esses motivos em algum momento de sua vida possa ter lhe comprometido a razão. Como prova de sua lucidez, Bárbara foi madrinha de batismo de Maria Branca no ano de 1814, na cidade de São Gonçalo do Sapucaí.

Em 25 de maio de 1819 aos 60 anos de idade faleceu Bárbara Eliodora Guilhermina da Fonseca, através da certidão de óbito sabemos que Bárbara foi sepultada na igreja da Matriz em São Gonçalo do Sapucaí.

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