Tudo sobre o infarto

O infarto sempre esteve associado à velhice, uma doença que teria como vítima predileta quem já passou dos 60 anos. Puro engano, sobretudo no Brasil. A freqüência de ataques do coração entre brasileiros com menos de 55 anos é 40% maior que a média no resto do mundo. E pior: nessa faixa etária o infarto tende a ser fulminante. Isso ocorre porque o coração ainda não viveu o suficiente para criar a chamada circulação colateral - uma rede de pequenos vasos que se forma com a idade e serve de caminho alternativo para a irrigação sanguínea. "Os mais jovens não devem ignorar os riscos das doenças cardíacas". As atenções dispensadas ao músculo cardíaco devem começar ainda na juventude. Os primeiros controles preventivos do coração são recomendados a partir dos 20 anos .

Lento e silencioso - O infarto é conseqüência de um mal de evolução lenta e silenciosa. Erroneamente, muitos acreditam que seria suficiente levar uma vida saudável para manter o coração funcionando bem. Obviamente, fugir dos fatores de risco é um cuidado essencial nesse caso. Mas não basta. É preciso ter em conta outros fatores, como os genéticos. Homens e mulheres com histórico de infarto na família devem redobrar a atenção. Era o caso de Luís Eduardo, cujo pai sofre de problemas cardíacos. "Ninguém está livre de sofrer um infarto". "De cada dez problemas cardíacos, três não estão relacionados a nenhum fator de risco".

O controle dos fatores de risco e os exames periódicos reduzem em mais da metade o perigo de um infarto.Em apenas uma hora é possível fazer um check-up completo do coração. São três os exames. O eletrocardiograma mede o ritmo dos batimentos cardíacos por intermédio de eletrodos colados ao peito do paciente. Há também o ecocardiograma, um ultra-som que fornece imagens do coração em pleno funcionamento. O mais sofisticado é a cintilografia do miocárdio.O paciente ingere uma solução que percorre todos os vasos do organismo. Na tela de um computador, os médicos acompanham a irrigação sanguínea do coração. O check-up pode ser feito com o paciente em repouso ou se exercitando numa esteira ou bicicleta ergométrica. O segundo caso serve para analisar o funcionamento do músculo cardíaco numa situação-limite. É indicado especialmente para pessoas sedentárias que queiram iniciar algum tipo de atividade física ou esportiva. Infelizmente, menos de 10% das vítimas potenciais de um infarto, pelas contas da Sociedade Brasileira de Cardiologia, submetem-se aos exames cardíacos. Muitas vidas poderiam ser salvas se esse número fosse maior. Hoje, os métodos mais modernos de avaliação do coração detectam uma insuficiência coronariana em mais de 80% dos casos. Com isso, se necessária uma intervenção cirúrgica, as chances de sucesso chegam quase a 100%.

A batalha contra o infarto é também uma guerra contra o relógio. "Tempo é músculo". Quanto mais o coração fica sem receber sangue oxigenado, maiores são as áreas lesadas. Depois de seis horas sem oxigênio, o tecido do músculo cardíaco morre. Os danos podem ser irreversíveis e, até, fatais. Quanto mais rápido for o atendimento, melhor.De cada 100 pacientes atendidos na primeira hora depois do início do infarto, 91 sobrevivem. Uma outra valiosa dica médica é ficar de olho nos sinais clínicos disparados pelo coração. A dor é o principal deles. Mais importante que o lugar onde dói é quanto dói. Um aperto forte, constritivo, e persistente no peito é sintoma de infarto. A dor costuma aparecer em lugares esdrúxulos, em se tratando do coração. Pode doer o estômago - e a pessoa imagina problemas gástricos. Pode doer a mandíbula - e o doente pensa logo em consultar um dentista. Daí, a importância do check-up rotineiro.

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