A INCONFIDENCIA MINEIRA
Desde o descobrimento do Brasil em 1500,
por Álvares Cabral, os portugueses exploravam as riquezas brasileiras.
No século XVII, por volta dos anos de
1690 foi descoberto muito ouro na capitania de São Paulo, região atualmente
estado de Minas Gerais, que em 1720 passou a ser capitania de Minas Gerais,
então o Governo Português ao saber disso, resolveu explorar a mineração de ouro
no Brasil para minimizar os problemas econômicos pelos quais estavam passando
em Portugal.
Sendo assim, o Governo português, em 1700
adotou o “quinto”, onde todos os mineradores obrigatoriamente pagavam para a
Coroa Portuguesa a quinta parte de todo o ouro extraído.
O Quinto, a mais importante das receitas
da coroa portuguesa, incidia sobre toda a produção local, correspondendo a 20%,
sendo então uma taxação elevadíssima e desproporcional a ser paga a Portugal
denominada “o quinto”. Esse imposto recaía principalmente sobre a produção do
ouro. [1]
Já em 1729 com a descoberta agora dos
diamantes, riqueza a qual os Portugueses também estabeleceram controle sobre
elas, ou seja, cobravam taxas deste mineral.
É ressaltado ainda que no tange do ouro,
o Governo de Portugal passou a fiscalizar as terras onde eram feitas as
extrações do ouro, isso para evitar que tanto os mineradores quanto os escravos
escondessem ou até mesmo roubassem o pó do ouro. Estas fiscalizações aconteciam
porque de acordo com os fatos históricos os escravos escondiam o pó do ouro em
seus cabelos e também em imagens de santos, numa tentativa de não pagar o
“quinto”.
A mineração em Minas Gerais no ano de
1763 começou a passar por dificuldades, a quantidade de ouro extraído foi
diminuindo, e os mineradores não mais conseguiam atingir a taxa cobrada pelo
Governo, assim, no ano de 1789 começavam a acumular as dívidas com o Governo
Português e os mineradores foram se endividando.
Em 1789 foi anunciado que os impostos
seriam cobrados através da derrama, que vem a ser a cobrança dos impostos
atrasados, cobrança essa feita para atingir a meta estipulada pela Coroa portuguesa de
100 arrobas de ouro anuais,
se estes impostos não fossem pagos ao Governo integralmente, esse valor seria
completado através do confisco de bens e objetos de ouro. Essa prática de
cobranças de valores era feita para atingir essa meta estipulada.
Aos fins do século XVIII um movimento que tinha por
objetivo se libertar de Portugal para ter seu próprio governo recebeu o nome de
Inconfidência Mineira.
O termo inconfidência
significa infidelidade, deslealdade, que era considerada pela lei portuguesa
como crime de lesa-majestade, ou seja, traição ao rei.
Na época da Inconfidência havia já, em Minas Gerais, uma elite intelectual bem brasileira, composta de
poetas, padres e advogados, dentre eles: Tomás Antônio Gonzaga, Cláudio Manoel
da Costa e Alvarenga Peixoto formavam a trindade intelectual mais famosa do
Brasil.
Alvarenga Peixoto sonhava com a liberdade da Pátria e
então se envolveu na Conspiração Mineira, que visava liberdade e progresso para
o país, essa idéia começava a se espelhar por todas as vilas, povoados e até
mesmo nas comarcas mais distantes. Esse movimento não se limitava apenas na
independência política, mas também em implantar uma política econômica
industrialista, sobretudo as fábricas de tecidos, ferro e pólvora, visando não
só o enriquecimento dos proprietários das fábricas, como também de todos os
envolvidos, como funcionários e fornecedores.
Através da implantação dessa política econômica,
esperavam multiplicar a circulação de dinheiro, permitindo o surgimento de
novos empreendimentos, fomentando assim o progresso para se tornar um país
democrático onde toda a população possa defender suas idéias e interesses,
melhorando assim as condições de vida do povo. Entre as mudanças que seriam
feitas também estaria a mudança da capital do país para a cidade de São João
Del Rei-MG.
Alvarenga Peixoto era a favor de que os escravos que
lutassem com os inconfidentes fossem libertados, mas essa possibilidade foi
descartada pelos demais inconfidentes.
Os Inconfidentes se reuniam com grande freqüência,
para que cada um informasse o que havia feito e assim todos decidiam qual seria
o próximo passo a ser tomado, tudo com um grande sigilo, jamais escrevendo em
papel para não ser deixado como provas. Em uma dessas reuniões foi decidido uma
senha que seria “tal dia é o dia do batizado” e assim todos saberiam que a luta
teria início. Decidiram também que essa nova república teria uma bandeira, e
nela teria um triangulo vermelho que representaria as três pessoas da
Santíssima Trindade com a legenda: libertas quae será tamem”. Bandeira a
qual hoje é adotada pelo estado de Minas Gerais.
Bárbara Eliodora era uma mulher respeitada por todos,
por sua beleza física e grandeza moral, era encantadora e inspiração dos
poetas, bela, inteligente e seus ideais iam a favor de um Brasil melhor, alguns
dos Inconfidentes desejavam que Bárbara fosse a Princesa do Brasil quando se
desse o fim da Conspiração.
Tiradentes (Joaquim José
da Silva Xavier) desenhou a bandeira adotada, com o famoso triângulo e a frase
sugerida por Alvarenga Peixoto, inspirada no poeta romano Virgílio: “libertas
quae será tamem” (liberdade, ainda que tarde).
Joaquim José da Silva Xavier, que era
conhecido por Tiradentes era quem liderava o movimento libertador, ficou
conhecido como mártir da Inconfidência Mineira. Tiradentes foi batizado em 12 de novembro de 1746, data
geralmente atribuída ao seu nascimento, na fazenda Pombal, entre São José e São
João Del Rei. Onde hoje é a cidade de Tiradentes,
em sua homenagem. Era o quarto filho entre sete irmãos. Dois deles foram padres
e um capitão de milícias. Seus pais eram pequenos fazendeiros, de instrução
mediana. Tiradentes sofreu a perda de seus pais, ficando órfão aos onze anos de
idade, e foi viver com o padrinho, um dentista que o ensinou a profissão. Daí o
apelido de Tiradentes. Não teve estudos e enfrentou uma dura luta pela
sobrevivência. Tentou tudo e quando as coisas não davam certas, voltava a
arrancar dentes. Tiradentes não constituiu família, mas teve dois
filhos: João, com Eugênia Joaquina da Silva, e Joaquina, com Antônia Maria do
Espírito Santo, que viviam em Vila Rica, atual cidade de Ouro preto.
Antes de dar início à luta os Inconfidentes foram
unindo forças, seus soldados seriam cidadãos comuns moradores das vilas
próximas e também das capitanias distantes. Entre eles não havia soldados
profissionais, porém manuseariam as armas assim que preciso, pois o objetivo
era que todos juntos tornassem o Brasil um país livre.
Entre os Inconfidentes estavam Joaquim Silvério dos
Reis, português nascido em Leiria em 1756, descendia de uma família de
militares e padres. Vindo para o Brasil no ano de 1776, em pouco tempo
conquistou muito dinheiro, possuía muitas fazendas de criação de gado e plantação,
extraia minério de suas fazendas e possuía cerca de 200 escravos.
Silvério foi quem, denunciou os integrantes do
movimento em troca de pagamento de suas dívidas. Em 15 de março Silvério revelou ao governador
Visconde de Barbacena todos os detalhes e preparativos da revolta que era
liderada por Tiradentes e o objetivo primordial era a libertação do Brasil de
Portugal.
Sabendo disso, o Governo Português suspendeu a
cobrança em fevereiro de 1789 fazendo com que o movimento perdesse sua força,
pois já não tinham mais motivos para tal protesto.
Silvério tinha um motivo claro
e direto para seu gesto. Como uma alternativa à participação em uma aventura
perigosa, poderia ter tentado alcançar o objetivo original de sua participação
na inconfidência, fugir ao pagamento da dívida, por outro método, denunciando
seus cúmplices a Barbacena e reclamando um prêmio por sua “lealdade”: o perdão
de sua dívida.
Bárbara Eliodora foi a única mulher a participar
indiretamente do movimento, ela sabia quais eram os objetivos e os planos para
a libertação do Brasil. Após a denúncia, Alvarenga tentando salvar sua família
tinha um plano de se passar por vítima de uma cilada contra a Coroa Portuguesa,
entretanto Bárbara não o deixou trair seus amigos.
Chiavenato (2000) afirma que o único, além de
Tiradentes que decidiu ir até o fim foi Alvarenga Peixoto, era sagaz, sabia que
a conspiração não tinha retorno, haviam ido longe demais, ressalta ainda
Maxwell (1995) Alvarenga Peixoto continuou decidido a fundar um estado
independente, pois acreditava estivessem todos por demais implicados para
recuar e que se fossem descobertos enfrentaria a prisão.
Contudo, a insistência da
lei da quota de ouro de 1750, fez com que, os mais ricos e importantes
mineradores, armassem essa conspiração contra Portugal, se tudo ocorresse
conforme os planos, essa seria a ação que daria fim a domínio português sobre o
Brasil. Entretanto, com a descoberta desses planos fez com que a Inconfidência
Mineira e os sonhos de um Brasil livre terminassem ali, quando inesperadamente
os Inconfidentes foram presos.
Deram as prisões dos Inconfidentes, Alvarenga Peixoto
residia com sua família em São João Del Rei, Alvarenga se rendeu
voluntariamente, foi preso, e enviado para o Rio, onde, em seguida deu-se à
abertura da devassa.
A devassa era uma espécie
de inquérito no qual se interrogavam os suspeitos e ouviam-se as testemunhas de
um crime.
Alvarenga foi preso na data de 20 de maio de 1789
pelo oficial José Dias Coelho. Após 3 anos de interrogatórios na Fortaleza da
Ilha das Cobras no Rio de Janeiro foi enviado para o Presídio de Ambaca,
Angola, na África, juntamente com mais 11 principais envolvidos na
Inconfidência Mineira, sendo um deles, Tiradentes, onde todos foram condenados
a prisão perpétua, menos Tiradentes que foi levado a forca no dia 21 de abril
de 1792.
Em 18 de abril de 1792 foi dada à leitura da sentença
que condenou Tiradentes à forca, a ter seu corpo esquartejado e a cabeça
cortada e exibida no centro de Vila Rica. E também Freire de Andrade, Álvares
Maciel, Alvarenga Peixoto, Oliveira Lopes e Luís Vaz deviam ser enforcados,
decapitados e esquartejados. Porém a Rainha de Portugal fez uma carta de
clemência onde todas as sentenças, menos a de Tiradentes foram perdoadas.
A sentença condenou
Tiradentes à forca, a ter a cabeça cortada e exibida sobre uma alta estaca, no
centro de Vila Rica e, mais, a ter o corpo esquartejado e suas partes expostas
nas vias de acesso à capitania e naqueles lugares por ele mais freqüentados.
O mais infeliz foi
Alvarenga Peixoto, que não sobreviveu seis meses, morrendo em Ambaca, aos 49
anos de idade, morreu em 12 de Janeiro de 1793.
Fonte:OLIVEIRA, Carolina Alves. Museu Bárbara Eliodora no município de São Gonçalo do Sapucaí-MG: práticas e atividades sócio- culturais